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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

CARLA AGUIAR : Conversei com Chávez e cruzei-me com Shakira num hotel do Estoril

Conversei demoradamente com Chávez no centro de acreditação da cimeira ibero-americana enquanto esperava, mais de duas horas, para ter cartão de acesso ao Hotel Cascais Miragem, onde 22 chefes de Estado discutiam matérias tão complexas como a legitimidade das eleições hondurenhas, o impacto social da crise, o clima, a pobreza ou a dimensão da imigração no continente.

Tal como eu, o Luís Alberto Chávez, não o Hugo - que como se sabe esteve ausente - , também teve problemas com a sua acreditação, enquanto jornalista de um canal de TV peruano. Não fomos os únicos. O processo de acreditação via online revelou-se afinal um mau exemplo do 'Portugal Simplex', deixando dezenas de jornalistas e até delegados em espera. E tudo piora quando o comissário da polícia, suposto de checar os cadastros, vai almoçar e demora para voltar. Um assessor do ministro do Planejamento brasileiro já desesperava, pois nem o "celular" da Vivo funcionava cá, mesmo que a operadora seja PT.

Também por isso, mas não só, ao tema central da cimeira, "Inovação e Conhecimento", promovido em painéis azul celeste, deveria ter sido acrescentada a palavra "eficácia". Porque, ao fim de 19 cimeiras, a América Latina precisa de políticas que passem da teoria à prática e permitam evitar o que todos temem, ou seja, que a actual crise económica atire mais 39 milhões de pessoas para a pobreza, como ontem alertou o secretário-geral da Organização de Estados Americanos, José Insulza. E que, por essa razão, se deteriorem as jovens democracias da região.

Esse é, aliás, o propósito da Agenda Social, um documento que está a ser trabalhado há dois anos por 20 por ex-presidentes da América Latina (onde constam nomes como Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Alejandro Toledo (Perú) e Vicente Fox (México) e que será hoje entregue à troika composta pelos presidentes de Portugal, Argentina e El Salvador. É uma espécie de livro-branco com 16 políticas para a América Latina, com o objectivo de tratar dos problemas essenciais do povo, como alimentação, educação, saúde e água, e evitar que, pela sua ausência, apareçam governos populistas. Uma preocupação que surge com alguns anos de atraso.

É, no fundo, a mesma preocupação que levou a cantora colombiana Shakira a tornar-se a estrela da cimeira, que este ano não contou com o habitual protagonismo de Chávez. Como representante da Fundação ALAS (América Latina em Acção Solidária), Shakira - num curto vestido preto - , atraiu todas as atenções, ao conseguir a assinatura de um acordo de cooperação entre a Secretaria-Geral Ibero-Americana, a Organização dos Estados Ibero-Americanos e a sua fundação, destinada a promover projectos de combate à pobreza e de protecção das crianças. A cantora teve, de resto, direito a uma sala maior para a conferência de imprensa do que a cedida ao presidente da Costa Rica para falar sobre o polémico processo eleitoral nas Honduras, que dominou e dividiu a cimeira.

Os presidentes do Perú e do Chile, com tensas relações diplomáticas a propósito de uma recente acusação de espionagem militar por parte do Chile, parecem ter até procurado a benção do Papa antes de se deslocarem à cimeira. Michelle Bachelet esteve no sábado com o Santo Padre, enquanto Alan García veio ontem directamente do Vaticano, sendo o último a chegar ao Estoril.

A desorganização com que decorreu a cimeira fez-se notar até no momento da foto de família. Sócrates teve de ir chamar Inácio Lula da Silva, que não aparecia. E quando se pensava que já estavam todos, faltava o presidente Uribe, da Colômbia, que apareceu,coxeando, de muleta, pois caiu de um cavalo. Se Chávez soubesse, talvez quisesse ter vindo...

Tags: Globo

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Olá galera quem ta falando aqui é emerson ... comenta aew falou ?